UFRN inicia a implementação do PGD (Programa de Gestão e Desempenho)

 Um grande retrocesso nas condições de trabalho dos servidores

 

Neste mês de fevereiro, a Reitoria da UFRN começou a implementar o Programa de Gestão e Desempenho (PGD), que tem como principal medida substituir o controle de frequência do ponto eletrônico pelo controle de frequência por “entregas”. Dessa forma, o dia de trabalho do servidor deixa de ser medido pela jornada de 8 horas, e passa a ser mensurado a partir do cumprimento de metas/tarefas. Por isso que temos dito que se trata, na prática, da destruição do direito histórico à jornada de trabalho de 8 horas.

Caso haja uma redução do número de servidores em decorrência da diminuição das vagas nos concursos, isso levará a uma sobrecarga de trabalho. Nesse cenário, sem uma jornada de trabalho delimitada, os servidores, sobrecarregados (o que já é a realidade de muitos), se verão pressionados a trabalhar mais do que 8 horas por dia para conseguir cumprir as suas metas/tarefas, sem que essas horas a mais sejam contabilizadas. Caso não cumpram com as metas, poderão ter seu salário descontado no final do mês.

A implementação do PGD no setor de trabalho é a precondição para que os servidores possam aderir ao teletrabalho. Esta tem sido a grande armadilha que tem levado uma parte dos servidores a aceitarem o PGD. Há uma grande ilusão nesta parcela dos servidores de que o teletrabalho trará melhorias nas suas condições de vida.

Com o teletrabalho, são inúmeros os retrocessos: 1) acaba-se com a separação da vida pessoal e da profissional, pois não há uma linha divisória clara entre horário de trabalho e tempo livre de descanso e lazer; 2) a precarização será ainda maior para a mulher trabalhadora, que arca com o peso das tarefas domésticas e do cuidado com as crianças, idosos e doentes; 3) os servidores terão que arcar com os custos da compra e manutenção de equipamentos necessários ao trabalho e à ergonomia; 4) o Estado se desresponsabilizará cada vez mais com a compra de novos equipamentos e manutenção dos locais de trabalho, aprofundando o sucateamento das universidades; 5) facilitará o fechamento de salas e a centralização da estrutura administrativa da universidade (a exemplo da unificação das secretarias de um mesmo Centro), concentrando muitas tarefas em um número cada vez menor de servidores; 6) facilitará a remoção e redistribuição arbitrária dos servidores entre setores e órgãos; 7) se agravarão os casos de assédio; 8) enfraquecerá a organização coletiva dos servidores no local de trabalho.

No ano passado, quando a proposta do PGD ainda estava sendo discutida, a Corrente Proletária na Educação fez uma campanha em alguns setores de alerta aos servidores para que rejeitassem e lutassem contra o PGD. Em alguns setores como a DAP, CCHLA, CCSA, FACISA e PROAE, os servidores realizaram reuniões setoriais para debater o PGD, e no debate foi possível perceber os riscos que existem em substituir a jornada de 8 horas por um controle por metas. Na FACISA, particularmente, os servidores aprovaram, por maioria, a posição contrária ao PGD.

Na assembleia do SINTEST de 26 de maio de 2022, a categoria aprovou uma pauta de reivindicações que rejeitava parcialmente o PGD, exigindo que não fosse uma imposição, mas sim uma decisão do próprio servidor aderir ou não ao programa. Foi aprovado também um calendário de reuniões setoriais por toda a universidade durante todo o mês de junho.

Era preciso que a mobilização que havia se iniciado em alguns setores fosse disseminada para todo o restante da universidade. As reuniões setoriais seriam um primeiro passo para construir essa conscientização e mobilização dos trabalhadores. No entanto, lamentavelmente, diante do chamado da PROGESP a um “Fórum de Servidores”, a direção do SINTEST suspendeu o calendário de reuniões setoriais no mês de junho. A ausência de mobilização setorial resultou no esvaziamento do ato chamado pelo SINTEST na Reitoria, no dia 30 de junho, dia em que o CONSAD finalmente aprovou a Resolução do PGD, sob gritos de protestos dos servidores que estavam presentes.

A dura experiência com o PGD tornará cada vez mais claro para os servidores a precarização que é o controle de frequência por metas/entregas e o teletrabalho. A Corrente Proletária na Educação faz um chamado aos servidores conscientes dos prejuízos do PGD a se organizarem, desde já, contra a implementação do Programa.

É preciso também constituir, na categoria, uma fração revolucionária que impulsione a luta em defesa das reivindicações e a unidade com os terceirizados, estudantes e professores contra os cortes e o sucateamento, e pelo financiamento integral da universidade pelo Estado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Terceirizados da UFRN novamente com salários atrasados

Trabalhadores do Canteiro de Obras da UFRN paralisam suas atividades pelo pagamento do salário e retroativo atrasados!